Engenharia? Nahh… eu quero é ser Intelectual!!

Estou disposto a por de parte a Engenharia, Consultoria, os Sistemas de Informação, o “Business Inteligence”, as Soluções à Medida e tudo o que o meu percurso académico/profissional me ofereceu. Eu quero é ser Intelectual! Sim, Intelectual. Do que vejo, também é uma profissão.

E porquê este interesse? Recentemente, chegou-me à atenção que 13 dos 156 elementos do Comité Central do PCP são desta (até agora para mim desconhecida) profissão: Intelectuais. Segundo o dicionário online da Priberam, intelectual significa:

intelectual
adj.
1. Que é do domínio da inteligência.
2. Relativo à inteligência.
3. Espiritual.

Julgo ser de domínio público toda a matriz que caracteriza o pensamento ideológico do PCP. Tendo isso em consideração e olhando para a definição acima, julgo que automaticamente se excluiu o ponto 3.

Também não é necessário ser-se muito dotado e/ou visionário para compreender o paradoxo óbvio entre os pontos 1. e 2. e, em simultâneo, pertencer-se voluntariamente ao PCP.

Mas o que na realidade me preocupa é a (dita) representatividade. Se tomarmos esta estrutura como representativa da população Portuguesa, isto quer dizer que 8,3(3)% dos 10 milhões são intelectuais. Ou seja, há mais de 833,000 intelectuais neste país. Se cruzarmos esta informação com a percentagem de treinadores de bancada que temos, julgo estar explicado porque é que este país está (e vai continuar) na miséria e a Selecção Nacional de Futebol nunca vai ganhar nada durante a sua existência.

Vai um FMI?

Acompanho com algum interesse o enorme debate (comentários, medos e pânico generalizado) sobre a possível (?) entrada do FMI em Portugal. Aqui estão os meus dois tostões (ou cêntimos para aqueles que já não sabem o que foram os escudos):

Independentemente das minhas considerações sobre este (e passados) Governos, é claro para mim que Portugal está injustamente na mira dos mercados internacionais. Sobretudo das agências de “rating”, as mesmas cuja (in)competência (ou interesse) sempre deram excelentes notas aos produtos e derivados do sub-prime, aos bancos americanos (que mais tarde ou faliram ou foram salvos pela Administração) e à solvência financeira Grega.

Não ponho em causa que 15 anos de Governo PS foram do mais despesista e esbanjador que por aqui tivemos (julgo, até, mesmo mais que os 8 anos de Presidência do Dr. Mário Soares). A nossa dívida externa arrisca-se a atirar-nos para o colapso e precisamos mais que a baixa do défice para sustentar o quer que seja. No entanto, e reconhecendo o trabalho de casa que este Governo tem feito junto dos mercados internacionais e potenciais compradores da nossa dívida soberana, é claro para mim que o nível de juro da dívida que actualmente temos faz parte de uma estratégia concertada e consciente. Seja de ataque ao Euro, seja de ataque à UE, seja de pura e simples ganância. No entanto, não reflecte o estado das contas do país, por mais miserável que ele seja. Sei, sim, que a contrair empréstimos a esta taxa de juro, estamos a penhorar o nosso futuro para os próximos 50 anos.

Mas será assim tão má a vinda do FMI? Não sei. Não consigo, em consciência, responder a essa pergunta. Se garantissem que, com a entrada do FMI, as taxas de juro da dívida caíssem para metade, acho que deveria ser uma opção séria a considerar. No entanto, olhando para a Grécia e para a Irlanda, cujas taxas de juro continuam absurdamente altas, não vejo razão para isso acontecer.

Há também duas coisas que considero interessantes e que, do que vejo, a maior parte das pessoas desconhece: para o FMI entrar, Portugal tem que pedir. O FMI não entra por iniciativa própria. Para além disso, toda e qualquer medida que o FMI queira implementar em Portugal tem que, obrigatoriamente, ser aprovada pela nossa Assembleia da República. Algo me diz que, se o FMI aterrar na Portela, a AR vai mudar...

Por fim, o que é que o FMI viria cá fazer? Cortes. Muitos cortes. Vai cortar a torto e a direito na despesa do Estado. Possivelmente, alguns deles injustos e dramáticos. No entanto, muitos deles serão na massa gorda que alimenta as estruturas partidárias. Aquela parte do Estado que tem custos cujo retorno, exceptuando para as partes interessadas, é duvidoso ou inexistente. Todos os cargos, estruturas, comissões e empresas criadas sabe-se lá porquê iam dar uma volta ao bilhar grande. E isso seria “Uma Coisa Boa”TM!

Para além de um vago amor e ténue orgulho próprios, julgo que esta é a fundamental razão pela qual o grosso dos “stakeholders” que governam o nosso país se defendem com unhas e dentes da entrada do FMI.

Ai as Presidenciais, as presidenciais...

Ultimamente, pouco mais tenho feito que não escrever. E se antes a principal razão de não escrita neste espaço era a mais pura e genuína preguiça, agora é porque a sinto uma dor lancinante na ponta dos dedos.

Mas aproveitando o momento de inércia adquirido, acho inevitável tecer algumas considerações sobre as eleições presidenciais que actualmente decorrem no país.

Não querendo desvalorizar a honorabilidade dos outros candidatos, julgo que o grosso da campanha se resume a Cavaco Silva vs. Manuel Alegre.

Confesso que que a figura do segundo, à primeira vista, estimula a minha simpatia. Mas não mais que qualquer outro “avozinho” que, durante tardes a fio, joga a sua batota aqui na Praça Paiva Couceiro.

De resto, e sem desrespeito pela pessoa, vejo que toda a sua actuação e discurso são centrados numa grande linha orientadora: o disparate. E nem é o disparate cómico ou jovial. É o disparate simples, seco, fácil e ligeiro. Infelizmente, toda a sua candidatura revolve à volta deste conceito. Dou por mim sem palavras para descrever mais que, de tantas as situações, dou por mim bloqueado tal é o fluxo de razões óbvias, claras e objectivas que sustentam o que afirmo.
No entanto, uma menção honrosa do meu tempo à aliança estratégica entre o PS e o BE. Este último, de radical incómodo na assembleia, revela-se o verdadeiro braço armado (e desenfreado) da campanha de Manuel Alegre, disposto a qualquer meio – mesmo não percebendo os fins – e concentrando todas as suas típicas raiva e azias no candidato Cavaco Silva. José Sócrates, e a sua equipa de Governo, agradece.

Notas finais a alguns dos restantes candidatos:

Francisco Lopes, PCP – tal como qualquer outra eleição, o PCP mantém o seu discurso. Igual há pelo menos 36 anos, com um outro chavão de modernidade. Ser igual a si próprio não é necessariamente mau. Mas é mais do mesmo.

Fernando Nobre, Independente – melhorou a sua prestação desde o início da pré-campanha. Simpatizo com a pessoa. Não lhe revejo, no entanto, qualquer capacidade para o cargo. Para além do mais, parece estar sempre embriagado quando fala. São estratégias... pode ser que resulte.

Defensor de Moura, Independente – não percebo.

José Manuel Coelho – saúdo com emoção a coragem deste senhor, português das ilhas. Não tem medo do disparate puro e genuíno, salpicado por uma ou outra verdade inconveniente, bem como julgo que não pretende passar outra ideia. Uma verdadeira e generosa lufada de ar fresco. Faz-me recordar de uma estratégia semelhante adoptada por uma lista candidata à direcção da (minha) AEIST nos finais dos anos 90: a lista Zé Ninja. De tão bom que era o disparate, e de tão fartos que os alunos estavam da luta “político-partidária”, que se arriscou seriamente a ganhar. E, por momentos e durante uma segunda volta, o medo na lista instalou-se porque estiveram mesmo à beira disso acontecer...

Vamos lá dar um novo *kick* a isto..

Hoje sou um ser musical





Porque preciso de ficar acordado mais umas horas...

Modern Times

Sou um tipo moderno. Alias, posso até dizer que sou um homem de mentalidade evoluída e vanguardista. Da mesma forma que colaboro, defendo e promovo - em pleno espírito modernista - a igualdade de direitos e deveres entre sexos, aplico essa linha evolutiva de vivência ao meu dia a dia.

Como é sabido, passo alguns dias da minha semana acompanhado apenas pelos nossos quatro gatos. Estas alturas, quando surgem em assunto de conversa, dão sempre azo a comentários jocosos e/ou condescendentes relativamente aos meus hábitos de higiene, arrumação e alimentação.

Hoje, depois de vir da piscina, cheguei tarde a casa e esganado de fome. Naturalmente, pouca ou nenhuma paciência tinha para fazer o jantar. Mas, como referi acima, sou um homem pleno do século XXI.

Assim, enquanto arrumava as coisas da piscina e actualizava o meu iPhone com o iOS4.0 (acabadinho de sair), preparei uma refeição rápida e completa. Aproveitando meia dúzia de ingredientes que tinha lá por casa, escolhendo meticulosamente cada um deles e coordenando os tempos de preparação com as minhas outras e simultâneas actividades, preparei um repasto leve mas nutritivo que não só meteria em sentido as mais completas donas de casa, como também calaria de uma vez por todas os mais críticos e cépticos: arroz branco com atum.

Vai buscar.

Vamos ver como é que isto mexe...



E o que vale é que já lhe espetei com Windows 7 em cima... a ver!

Ordinários


E eu sei... eu contribuo para isto... :/


Pequenas coisas

Há pessoas que vão fazer um “número dois” ao cemitério. Porquê? Para além de dar um tema interessante para uma canção, confesso que não faço a mais pálida ideia porque o fazem. Mas não é por isso que escrevo aqui hoje.

Como qualquer outra pessoa, tenho um gosto específico para certas coisas. E estas poucas coisas não podem ser ligeiramente parecidas ou quase iguais ao que pretendemos. Têm que ser exactamente “aquilo”, ou então nada. Não há, para estes “objectos”, situações de compromisso. Sou assim, como certamente muitos outros, e se calhar não com tão poucas coisas assim.

Procuro sempre, dentro do que pretendo, o óptimo, o perfeito. Agora, entre o óptimo e o possível vai ainda uma distancia qualitativa que por vezes é impossível de transpor.

Refiro-me, naturalmente, a coisas que não conseguimos obter, atingir ou até mesmo sustentar. Mas há outras, encapsulados numa esfera mais comum, que já se encontram ao nosso alcance.

No entanto, lá porque estão ao nosso alcance, não quer isso dizer que sejam fáceis de encontrar.

Veja-se, por exemplo, um par de óculos escuros. Julgo que ninguém discordará que, um par de óculos escuros, é algo suficientemente pessoal para ser um objectivo específico e suficientemente comum para ser fácil de encontrar.

Este Agosto, vai fazer 5 anos em que se comprou o meu anterior par de óculos. Depois de um par de anos naturais associados a um “período de carência”, comecei a procura de um novo par de óculos.

Ontem, e apenas ontem, num raid inesperado a uma loja da especialidade, lá encontramos aquilo que há muito buscávamos. Cá está a situação em que uma coisa banal se torna numa cruzada história de sucesso questionável.

E porquê? Porque é assim tão complicado encontrar-me um par de óculos escuros? Porque apesar de abençoado à nascença e provido de uma herança genética extraordinária, 99% dos óculos de qualquer marca (mesmo que goste muito deles) ficam-me mal. E digo isto para não entrar em detalhes descritivos que começam no “ar de parolo” e vão até ao “look galinha solta numa qualquer noite no Lux”.

Dos restantes 1%, a maioria são única e especificamente para o sexo feminino, sobrando uma franja mínima e quase não mensurável de óculos disponíveis.

Ontem, foi o dia em que nos cruzamos com essa franja. Ontem, foi o dia em que, cinco anos praticamente volvidos, comprei um novo par de óculos escuros.